quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Expressionismo


O movimento artístico denominado Expressionismo surgiu na Alemanha, na cidade de Dresden, por volta de 1905, em oposição ao Impressionismo e ao cientismo de caráter anti-racionalista. A designação que lhe foi atribuída aplica-se a toda a arte em que se distorce a realidade, dando-lhe uma expressão trágica ou caricatural dos temas, deformando as imagens e empregando cores exuberantes e patéticas, em largas manchas de violento contraste, que lhes permite retratar a violência das paixões e as emoções pessoais e provocar nos espectadores reações da mesma ordem. Os pormenores encontram-se dispostos de uma forma muito ritmada e dinâmica. A noção de perspectiva é substituída pela organização do espaço e pela utilização de cores muito acentuadas que sugerem a profundidade e o modelado. Tenta-se exprimir as forças que agitam ou dilaceram a alma humana e as suas emoções interiores ou até uma visão muito pessoal do artista. É uma forma de expressão muito subjetiva em que os artistas estabelecem uma ligação afetiva com tudo o que representam. As suas obras têm, por isso, um caráter muito emotivo e tenso. Procura-se denunciar a alienação do Homem, a sua profunda solidão, através de uma linguagem imediata, brutal, agressiva, com uma violência quase primitiva, onde se procurava exprimir a angústia que tortura os indivíduos.Os seus seguidores procuravam essa linguagem elementar que devia possuir a força das linguagens primitivas, capaz de expressar as emoções mais profundas do Homem. Importava, antes de tudo, revelar a natureza orgânica dos seres, coisas ou objetos no que eles têm de confuso e irracional. A partir de 1908, os elementos do grupo começaram a abandonar Dresden, mudando-se para Berlim. Os seus trabalhos apresentavam semelhanças tão acentuadas que se tornava difícil distingui-los. Era um estilo monótono e linear de cores fortemente contrastadas. Este estilo foi bastante duradouro, sobretudo na Alemanha.Entre os artistas integrados nesta corrente, que foi especialmente marcado por Edvard Munch, destacam-se também: Otto Dix, Rouault, Soutine, Ludwig Kirchner, Heckel, Schmidt-Rottluff, Nolde, Pechstein, Otto Mueller e Oskar Kokoschk que praticou uma forma de Expressionismo mais independente. O pintor belga James Enson teve também algumas ligações com esta forma de arte, com as suas figuras macabras, encobertas por máscaras carnavalescas. O expressionismo flamengo reflete duas tendências diferentes: uma mística e simbólica representada por A. Servaes e G. van de Woestyne e outra mais sensual, ilustrada por Tytgat, De Smet e Permeke. Um outro expoente máximo do Expressionismo é Pablo Picasso. Este artista, considerado um dos maiores dos artistas contemporâneos, nasceu em Málaga mas mudou-se ainda bastante novo para Barcelona onde iniciou a sua formação. Aos 17 anos já possuía uma técnica perfeita. Em Paris, influenciado por Toulouse-Lautrec, juntamente com Isidro Nonell, o pintor de ciganos, começa por manifestar um estilo sensível e trágico, mas também um pouco romântico, retratando a vida dos pobres (vagabundos, mendigos e saltimbancos). Depois, o seu estilo vai evoluindo para uma arte menos triste e mais terna. Daí as suas obras serem classificadas em vários períodos, de acordo com a cor dominante dos seus quadros ou da tendência seguida, numa sucessão de estilos, cada qual demarcando-se do anterior por uma ruptura e uma mudança radical em que o artista, com uma virtuosa técnica natural, parecia esgotar as possibilidades de cada tema anterior, mesmo antes de se virar para o seguinte: época azul (1901/04), época rosa (1905/07), fase negra (1907/09), fase cubista (1910/16), fase cubista e neo-clássica (1916/24), fase abstrata (1926/36) e fase expressionista (1937/46). A partir de 1907 as suas telas viriam a constituir o ponto de partida duma revolução visual. Picasso, sem abandonar uma certa fidelidade à aparência do real, aos poucos vai se libertando e aproximando do irreal, sobretudo através das cores utilizadas, que procuram traduzir os sentimentos e emoções. Procura então situar as formas no espaço sem recorrer à perspectiva. Em conjunto com o seu amigo Georges Braque inicia uma nova experiência, que irá durar sete anos de trabalho em conjunto, que os levará a ambos à pintura cubista.

Futurismo


O Futurismo foi o movimento artístico e literário iniciado oficialmente em 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo Marinetti (1876-1944), no jornal francês Le Figaro. O texto rejeita o moralismo e o passado, exalta a violência e propõe um novo tipo de beleza, baseado na velocidade. O apego do futurismo ao novo é tão grande que chega a defender a destruição de museus e de cidades antigas. Agressivo e extravagante, encara a guerra como forma de higienizar o mundo.O Futurismo produz mais manifestos - cerca de 30, de 1909 a 1916 - que obras, embora esses textos também sejam considerados expressões artísticas. Há enorme repercussão, principalmente na França e na Itália, onde vários artistas, entre eles Marinetti, se identificam com o fascismo nascente. Após a Primeira Guerra Mundial, o movimento entra em decadência, mas seu espírito influencia o Dadá.Nas artes plásticas, as obras refletem o mesmo ritmo e espírito da sociedade industrial. Para expressar velocidade na pintura, os artistas recorrem à repetição dos traços das figuras. Se querem mostrar muitos acontecimentos ao mesmo tempo, adaptam técnicas do Cubismo. Na escultura, os futuristas fazem trabalhos experimentais com vidro e papel e seu expoente é o pintor e escultor italiano Umberto Boccioni (1882-1916). Sua escultura Formas Únicas na Continuidade do Espaço (1913) - interseção de inúmeros volumes distorcidos - é uma das obras emblemáticas do Futurismo. Nela se capta a idéia de movimento e de força.Preocupados com a interação entre as artes, alguns pintores e escultores se aproximam da música e do teatro. O pintor italiano Luigi Russolo (1885-1947), por exemplo, cria instrumentos musicais e os utiliza em apresentações públicas.Na Rússia, o Futurismo tem papel importante na preparação da Revolução Russa (1917) e caracteriza as pinturas de Lariónov (1881-1964) e Gontcharova (1881-1962).NA literatura, as principais manifestações ocorrem na poesia italiana. Sempre a serviço de causas políticas, a primeira antologia sai em 1912. O texto é marcado pela destruição da sintaxe, dos conectivos e da pontuação, substituída por símbolos matemáticos e musicais. A linguagem é espontânea e as frases são fragmentadas para expressar velocidade. Os autores abolem os temas líricos e incorporam à poesia palavras ligadas à tecnologia. As idéias de Marinetti, mais atuante como teórico que como poeta, influenciam o poeta cubista francês Guillaume Apollinaire (1880-1918).Na Rússia, o Futurismo se expressa basicamente na literatura - enquanto os autores italianos se identificam com o fascismo, os russos aliam-se à esquerda. Vladímir Maiakóvski (1893-1930), o poeta da Revolução Russa, aproxima a poesia do povo. Viktor Khlébnikov (1885-1922) é outro poeta de destaque.No teatro, introduz a tecnologia nos espetáculos e tenta interagir com o público. O manifesto de Marinetti sobre teatro, de 1915, defende representações de apenas dois ou três minutos, um pequeno texto, ou nenhum texto, vários objetos em cena e poucos atores.As experiências na Itália concentram-se no teatro experimental fundado em 1922 pelo italiano Anton Giulio Bragaglia (1890-1960). Marinetti também publica uma obra dramática em 1920, Elettricità Sensuale, mesmo título de uma peça sua escrita em 1909.No Brasil, o movimento colabora para desencadear o Modernismo, que dominou as artes após a Semana de Arte Moderna de 1922. Os modernistas usam algumas das técnicas do Futurismo e discutem suas idéias, mas rejeitam o rótulo, identificado com o fascista Marinetti.

Maneirismo


O movimento artístico chamado de Maneirismo é utilizado para indicar a arte realizada na Itália um determinado período que compreende o Renascimento e o Barroco, aproximadamente de 1520 a 1600. O termo deriva de maniera (maneira), em italiano, e foi empregado pelo historiador Vasari (1511-1574) no século XVI como um sinônimo para o que hoje chamamos de estilo.Vasari via a arte renascentista, especialmente Michelangelo, como o ápice de toda a história da arte. Os sucessores do escultor florentino apenas poderiam, na visão deste historiador, copiar as criações geniais da arte do Renascimento. Com isso, o Maneirismo entrou na história da arte posterior visto como um período de decadência criativa.Muitas obras maneiristas, de fato, carecem de engenho e vivacidade, entretanto, a crítica de arte mais atual soube mostrar como os maneiristas, ao invés de copiar os gigantes do renascimento, haviam criado uma linguagem totalmente diferente e valorosa em si.Complexo fenômeno cultural, formalmente podemos definir o Maneirismo como a arte que comporta as qualidades de graça, leveza, simplicidade e sofisticação. Suas composições são tão complexas quanto, mas sem aquela unidade coesa das obras barrocas. Algumas vezes frívolas e superficiais, as pinturas maneiristas mais são veículo de intrincadas simbologias do que de emoção.

Modernismo


O Modernismo foi uma tendência vanguardista que rompeu com padrões rígidos e caminhou para uma criação mais livre, surgida internacionalmente nas artes plásticas e na literatura no final do século XIX e início do século XX. Foi uma reação às escolas artísticas do passado. Como resultado, desenvolveram-se novos estilos, entre eles o Expressionismo, o Cubismo, o Dadá, o Surrealismo e o Futurismo.No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. De 11 a 18 de fevereiro daquele ano, conferências, recitais de música, declamações de poesia e exposição de quadros, realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresentam ao público as novas tendências das artes do país. Seus idealizadores rejeitam a arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado. Defendem a assimilação das estéticas internacionais para mesclá-las com a cultura nacional, o que dá origem a uma arte vinculada à realidade brasileira.A partir da Semana de 22 surgem vários grupos e movimentos, que radicalizam ou se opõem a seus princípios básicos. O escritor Oswald de Andrade e a artista plástica Tarsila do Amaral publicam em 1924 o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica da modernidade européia. Em 1928 levam ao extremo essas idéias com o Manifesto Antropofágico, que propõe "devorar" influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura. Por outro caminho, mais conservador, segue o grupo da Anta, liderado pelo escritor Menotti del Picchia (1892-1988) e pelo poeta Cassiano Ricardo (1895-1974). Em um movimento chamado de verde-amarelismo, fecham-se às vanguardas européias e aderem a idéias políticas que prenunciam o integralismo, versão brasileira do fascismo. O principal veículo das idéias modernistas é a revista Klaxon, lançada em maio de 1922.Na área das artes plásticas, uma das primeiras exposições de arte moderna no Brasil é realizada em 1913 pelo pintor de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as reações são amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro. Em 1917, Anita Malfatti faz a que é considerada de fato a primeira mostra modernista brasileira. Apresenta telas influenciadas pelo Cubismo, Expressionismo, Fauvismo e Futurismo que causam escândalo, entre elas A Mulher de Cabelos Verdes.Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.
No final dos anos 20 e início da década de 30 começam a se aproximar do movimento artistas mais preocupados com o aspecto plástico da pintura. Utilizam cores menos gritantes e composição mais equilibrada. Entre eles destacam-se Alberto Guignard (1896-1962), Alfredo Volpi, depois ligado à abstração, e Francisco Rebolo (1903-1980).O Modernismo enfraquece a partir dos anos 40, quando o Abstracionismo chega com mais força ao país. Seu final acontece nos anos 50, com a criação das bienais, que promovem a internacionalização da arte brasileira.Na literatura, uma das principais inovações modernistas é a abordagem de temas do cotidiano, com ênfase na realidade brasileira e nos problemas sociais. O tom é combativo. O texto liberta-se da linguagem culta e passa a ser mais coloquial, com admissão de gírias. Nem sempre as orações seguem uma seqüência lógica e o humor costuma estar presente. Objetividade e concisão são características marcantes. Na poesia, os versos tornam-se livres, e deixa de ser obrigatório o uso de rimas ricas e métricas perfeitas.Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.
O Modernismo vive uma segunda fase a partir de 1930, quando é lançado Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Os temas sociais ganham destaque e o regionalismo amplia sua temática.A terceira fase do movimento começa em 1945. Os poetas retomam alguns aspectos do Parnasianismo, como Lêdo Ivo (Acontecimento do Soneto). João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina) destaca-se pela inventividade verbal e pelo engajamento político. Na prosa, os nomes mais importantes são Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas) e Clarice Lispector (Perto do Coração Selvagem).Na música, o Modernismo dá prosseguimento às mudanças iniciadas com o Impressionismo e o Expressionismo, rompendo ainda mais com o sistema tonal (música estruturada a partir da escolha de uma das 12 notas da escala como a principal). Os movimentos musicais modernistas são o Dodecafonismo, o Neoclassicismo e as escolas nacionais (que exploram o folclore de cada país), predominantes internacionalmente de 1910 a 1950.Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).
O Modernismo influencia tardiamente a produção teatral. Só em 1927 começam as inovações nos palcos brasileiros. Naquele ano, o Teatro de Brinquedo, grupo experimental liderado pelo dramaturgo e poeta Álvaro Moreyra (1888-1965), monta Adão, Eva e Outros Membros da Família. A peça, em linguagem coloquial e influenciada pelo marxismo, põe pela primeira vez em cena dois marginais: um mendigo e um ladrão.Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.


Neo-Classicismo

Tendência artística de recuperação de formas e valores greco-romanos da Antiguidade Clássica desenvolvida na segunda metade do século XVIII. Surge na Itália, Alemanha e França e se espalha por outros países europeus e pelos Estados Unidos (EUA), com repercussão no Brasil. Pela segunda vez na história, artistas buscam inspiração nos padrões estéticos gregos e romanos. Do século XIV ao século XVI, essa tendência originou o classicismo, uma reação à religiosidade e à subjetividade da arte medieval. Já o neoclassicismo se opõe ao exagero emocional do barroco e à sua ligação com a Monarquia absolutista. Baseia-se na visão científica de mundo vigente em meados do século XVIII e nas idéias racionalistas do iluminismo e da Revolução Francesa.A música vive esse movimento de modo defasado em relação às artes plásticas, à literatura e ao teatro. Nessa época, na segunda metade do século XVIII, os músicos vivem o período clássico. O que se denomina de neoclassicismo musical só acontecerá no início do século XX.Artes plásticasA arte neoclássica busca inspiração no equilíbrio e na simplicidade, bases da criação na Antiguidade. Uma amostra de pintura neoclássica nesse período é O Juramento dos Horácios, do francês Jacques-Louis David (1748-1825). Outro pintor de destaque é Dominique Ingres (1780-1867), de A Banhista de Valpinçon. Entre os italianos, sobressai Tiepolo (1696-1770). Na escultura, domina o italiano Antonio Canova (1757-1822), que retrata personagens contemporâneos como divindades mitológicas - Pauline Borghese como Vênus é um exemplo.LiteraturaOs textos empregam linguagem clara, sintética, gramaticalmente correta e nobre. A forma liberta-se um pouco do rigor do classicismo anterior. A principal expressão do movimento na literatura é o arcadismo, manifestado na Itália, em Portugal e no Brasil.Na França, os novos ideais iluministas são a base dos textos. Os principais autores são Montesquieu (1689-1755) e Voltaire. O primeiro é autor, entre outras, da obra Do Espírito das Leis. Voltaire experimenta vários gêneros: tragédia (A Morte de César), poesia (Discurso sobre o Homem), contos fantásticos (Zadig) e romance de fundo moral (Cândido). No final do século, uma visão crítica da aristocracia é dada por Choderlos de Laclos (1741-1803), em As Relações Perigosas, e pelos romances eróticos do marquês de Sade (1740-1814) e de Restif de la Bretonne (1734-1806). Na Inglaterra destacam-se Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (1660-1731), e As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1667-1731).MúsicaO nome neoclassicismo é adotado pela música em 1918. Na época, o mundo das artes vivia o que genericamente se chamava de modernismo. A música neoclássica exibe muitas ornamentações e passagens melódicas singelas. A linguagem musical é simplificada, para ser ouvida pelo público não especializado.O precursor do neoclassicismo é o russo Ígor Stravínski (1882-1971). Ele explora melodias do passado medieval, da música do Renascimento, de canções populares e do jazz norte-americano, como na peça A História de um Soldado.O neoclassicismo repercute na França, nos EUA, na Alemanha e na Rússia. Neste último país, destaca-se o compositor Prokófiev (1891-1953), internacionalmente conhecido por Pedro e o Lobo, obra orquestral com narração dirigida ao público infantil, e por sua parceria com o cineasta russo Serguei Eisenstein (1898-1948) no filme Alexandre Nevski.TeatroA racionalidade predomina, revalorizam-se o texto e a linguagem poética. A tragédia mantém o padrão solene da Antiguidade. Entre os principais autores está Voltaire. A comédia revitaliza-se com o francês Pierre Marivaux (1688-1763), autor de O Jogo do Amor e do Acaso. Os italianos Carlo Goldoni (1707-1793), de A Viúva Astuciosa, e Carlo Gozzi (1720-1806), de O Amor de Três Laranjas, estão entre os principais dramaturgos do gênero. Outro importante autor de comédias é o francês Caron de Beaumarchais (1732-1799), de O Barbeiro de Sevilha e de Bodas de Fígaro, retratos da decadência do Antigo Regime e uma inspiração para as óperas de Mozart (1756-1791) e Rossini (1792-1868).Numa linha que prenuncia o romantismo, trabalha o dramaturgo e filósofo francês Denis Diderot (1713-1784), um dos organizadores da Enciclopédia. Entre suas peças se destaca O Filho Natural. O italiano Metastasio (1698-1782) aproxima o teatro da música, como no melodrama A Olimpíada.Neoclassicismo no BrasilNas artes plásticas, no início do século XIX o espírito do neoclassicismo inspira a Missão Artística Francesa, encarregada por dom João VI de fundar a Academia Imperial de Belas-Artes. No país, a tendência torna-se visível na arquitetura. Seu expoente é Grandjean de Montigny (1776-1850), que chega com a Missão Francesa. Suas obras, como a sede da reitoria da Pontifícia Universidade Católica no Rio de Janeiro, adaptam a estética neoclássica ao clima tropical. Na pintura, a influência neoclássica está submetida ao romantismo. A composição e o desenho seguem os padrões de sobriedade e equilíbrio, mas o colorido reflete a dramaticidade romântica. Um exemplo é Flagelação de Cristo, de Vítor Meirelles (1832-1903).Na literatura, a principal expressão é o arcadismo, caracterizado por um estilo mais simples e objetivo e pela temática voltada para a natureza. Na música, a obra de Heitor Villa-Lobos exibe traços neoclássicos, como os fraseados melódicos da série Bachianas Brasileiras.

Fonte: http://www.spiner.com.br/modules.php?name=arteecultura&file=menu/movimentos/neoclassicismo

Neo-Realismo

Movimento cinematográfico nascido na Itália, em plena II Guerra Mundial, como um desenvolvimento do cinema realista. Dura até meados dos anos 50. Caracteriza-se pelo engajamento político e pela posição antifascista e rejeita as produções de entretenimento nos moldes das realizadas em Hollywood. Inova nos temas por tratar criticamente o cotidiano do proletariado, de camponeses e da baixa classe média, marcado por desemprego, fome e outras dificuldades enfrentadas no período de guerra e nos anos seguintes.ara mostrar que os problemas coletivos não podem ser resolvidos na individualidade, a figura do herói é eliminada - ou reduzida -, e não existe final feliz. O movimento revoluciona ainda a linguagem ao substituir produções de estúdio com estrelas do cinema e cenários elaborados por filmagens externas, geralmente nas ruas, com atores pouco conhecidos ou não profissionais. O uso de mínimos recursos também é uma saída para produzir filmes na pobreza do pós-guerra. A decisão de abandonar o suspense, a aventura e o artificialismo para retratar o cotidiano é a principal contribuição do Neo-realismo ao cinema moderno.O termo Neo-realismo surge em 1942 para definir Obsessão, filme de Luchino Visconti (1906-1976) considerado a obra inaugural do gênero. Mas é Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rosselini (1906-1977), que alcança repercussão internacional. Paisà (1946) e Alemanha, Ano Zero (1947), dirigidos por Rossellini, também são marcos do movimento. Vittorio De Sica (1901-1974), outro expoente do neo-realismo, faz em 1948 Ladrões de Bicicletas, que trata do desemprego e da solidariedade na história de um operário que depende de sua bicicleta para trabalhar. Dirige também Milagre em Milão (1950) e Umberto D (1951).Enfraquecido pela invasão das produções de Hollywood, o gênero perde força na Itália, mas exerce grande influência na cinematografia posterior de vários países. Na própria Itália influi na obra de Federico Fellini (1920-1933) e de Michelangelo Antonioni (1912-). No Japão marca cineastas como Akira Kurosawa (1910-1998), em Ralé (1957), e Nagisa Oshima (1932-), em Uma Cidade de Amor e Esperança (1959). No Brasil, o Neo-realismo inspira filmes como Rio, Quarenta Graus (1955) e Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos (1928-).
Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.
Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.
Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).
Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

Fonte: http://www.spiner.com.br/modules.php?name=arteecultura&file=menu/movimentos/neorealismo

Parnasianismo

Escola literária que se desenvolve na poesia a partir de 1850. Nasce na França e precede em algumas décadas o Simbolismo. O nome do movimento vem de Parnaso, região mitológica grega onde moravam os poetas. O estilo caracteriza-se pelo respeito às regras de versificação, pela riqueza da rima e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. Valoriza a descrição objetiva, a escolha de palavras precisas e as frases invertidas. O emprego da linguagem figurada é reduzido e valorizam-se o exotismo e a mitologia. Os principais temas são os fatos históricos, os objetos e as paisagens.O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo. Os principais expoentes são Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e José Maria de Heredia (1842-1905), de origem cubana.
Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.
Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.
Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).
Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

Fonte: http://www.spiner.com.br/modules.php?name=arteecultura&file=menu/movimentos/parnasianismo