quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Primitivismo

O Primitivismo foi um tipo de pintura desenvolvida por artistas de origem popular, com pouca ou nenhuma formação técnica, desvinculada de padrões acadêmicos e de preocupações estéticas ou temáticas vanguardistas. Refere-se a telas consideradas ingênuas e exóticas. O rótulo surge em 1886, na França, por iniciativa de artistas e intelectuais que, interessados em renovar a arte erudita, enaltecem criações populares européias e de outras civilizações. Por ter formação erudita, chamam os outros de "primitivos". No século XX, a mesma preocupação leva artistas expressionistas e surrealistas a resgatar produções visuais de crianças e doentes mentais. No Brasil, nos anos de 1930 e 1940, artistas ligados ao Modernismo valorizam a produção de pintores populares. Cardosinho (1861-1947), português residente no Rio de Janeiro, é incentivado por Candido Portinari. Sua tela Palhaço, sem preocupação com as regras de proporção, exibe um palhaço com cabeça enorme cercado de pessoas muito pequenas. Nos anos 40, os modernistas descobrem artistas depois considerados símbolos da arte "primitiva" no país: Djanira (1914-1979), José Antônio da Silva (1909-), Francisco da Silva (1910-) e Heitor dos Prazeres (1898-1967). A crítica é atraída não apenas pela liberdade no uso das cores e na composição dos planos, mas também pela temática, ligada à cultura popular. Em sua tela Cafezal (1952), Djanira retrata com cores vibrantes uma cena de trabalhadores numa plantação de café. Em uma tela sem título de 1966, Francisco da Silva exibe animais fantásticos com cores intensas. Waldomiro de Deus e Mestre Vitalino (Vitalino Pereira dos Santos, 1909-1963) também são considerados primitivos e suas obras têm estreita ligação com o artesanato popular.
Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.
Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.
Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).
Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano

Fonte: http://www.spiner.com.br/modules.php?name=arteecultura&file=menu/movimentos/primitivismo

Regionalismo

O Regionalismo foi uma tendência do Romantismo que se iniciou na literatura no século XIX. Representa tipos e cenas do interior do país, integrando-os à cultura nacional. Entre as principais obras regionalistas do período romântico estão O Sertanejo, de José de Alencar; Inocência, de Visconde de Taunay (1843-1899); e A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães (1825-1884).Com o desenvolvimento do Naturalismo, no final do século XIX, o Regionalismo se consolida. O cotidiano rural do Sul e do Nordeste é tema dos romances, que adotam também o modo de falar de cada região. Afonso Arinos (1868-1916), autor de Pelo Sertão, é considerado o principal nome do período. Outro escritor importante é Simões Lopes Neto (1865-1916), de Contos Gauchescos. Essa tendência é contemporânea dos pré-modernistas Euclides da Cunha, que escreve o livro-reportagem Os Sertões, sobre Canudos, e Monteiro Lobato, de Cidades Mortas, que trata da realidade do interior de São Paulo. A partir da década de 20, ao estimular a produção de uma literatura ligada à realidade do país, o Modernismo dá novo impulso ao Regionalismo. Em 1928, o sociólogo Gilberto Freyre lança o Manifesto Regionalista, que exalta a cultura regional e é contra a importação de manifestações artísticas européias. O movimento se renova com a obra de Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego (1901-1957) e Érico Veríssimo. Na década de 50 destacam-se Mário Palmério, Bernardo Élis e Josué Montello, entre outros.
Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.
Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.
Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).
Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

Fonte: http://www.spiner.com.br/modules.php?name=arteecultura&file=menu/movimentos/regionalismo

Romantismo


Tendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do Neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).Nas artes plásticas, o Romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya (1746-1828). Na França destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).Na área literária, a poesia lírica é a principal expressão. Também são freqüentes os romances. Frases diretas, vocábulos estrangeiros, metáforas, personificação e comparação são características marcantes. Amores irrealizados, morte e fatos históricos são os principais temas. Um dos marcos da literatura romântica é Cantos e Inocência (1789), do poeta inglês William Blake (1757-1827). O livro de poemas Baladas Líricas, do inglês William Wordsworth (1770-1850), é uma espécie de manifesto do movimento. O poeta fundamental do Romantismo inglês é Lord Byron (1788-1824). Na linha do romance histórico, o principal nome é o escocês Walter Scott (1771-1832). Na Alemanha, o expoente é Goethe (1749-1832), autor de Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto.O Romantismo impõe-se na França no fim da década de 1820 com Victor Hugo (1802-1885), autor de Os Miseráveis. Outro dramaturgo e escritor francês importante é Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros.Em relação a música, os compositores buscam liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista.A transição do Classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o Romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo. De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do Romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria von Weber (1786-1826) e Franz Schubert (1797-1828).O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn (1809-1847), autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz (1803-1869), Robert Schumann (1810-1856), Frédéric Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886). No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner (1813-1883), autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.A renovação do teatro começa na Alemanha. Individualismo, subjetividade, religiosidade, valorização da obra de Shakespeare (1564-1616) e situações próximas do cotidiano são as principais características. O drama romântico em geral opõe num conflito o herói e o vilão. Os dois grandes expoentes são os poetas e dramaturgos alemães Goethe e Friedrich von Schiller (1759-1805). Victor Hugo é o grande responsável pela formulação teórica que leva os ideais românticos ao teatro. Os franceses influenciam os espanhóis, como José Zorrilla (1817-1893), autor de Don Juan Tenório; os portugueses, como Almeida Garrett (1799-1854), de Frei Luís de Sousa; os italianos, como Vittorio Alfieri (1749-1803), de Saul; e os ingleses, como Lord Byron (1788-1824), de Marino Faliero.O Romantismo no Brasil surge em 1830, influenciado pela independência, em 1822. Desenvolve uma linguagem própria e aborda temas ligados à natureza e às questões político-sociais. Defende a liberdade de criação e privilegia a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade, a natureza, os temas nacionais, as questões político-sociais e o passado.Os artistas dedicam-se a pinturas históricas, que enaltecem o império e o nacionalismo oficial. Exemplos são as telas A Batalha de Guararapes, de Victor Meirelles (1832-1903), e A Batalha do Avaí, de Pedro Américo. O Romantismo também influencia as obras dos pintores Araújo Porto Alegre (1806-1879) e Rodolfo Amoêdo (1857-1941).Na literatura, o marco inicial do Romantismo brasileiro é a publicação, em 1836, de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). A produção literária passa por quatro fases. A primeira (1836-1840) privilegia o misticismo, a religiosidade, o nacionalismo e a natureza. Seus expoentes são Araújo Porto Alegre e Gonçalves de Magalhães.Na segunda (1840-1850) predominam a descrição da natureza, a idealização do índio e o romance de costumes. Os destaques são Gonçalves Dias, poeta de Canção dos Tamoios, José de Alencar, autor de O Guarani, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), de A Moreninha.Na terceira (1850-1860), o nacionalismo intensifica-se e preponderam o individualismo, a subjetividade e a desilusão. Na poesia sobressaem Álvares de Azevedo, de Lira dos Vinte Anos, Casimiro de Abreu (1839-1860), de Primaveras, e Fagundes Varela (1841-1875), de Cantos e Fantasias. Na prosa consolidam-se as obras de José de Alencar, com Senhora, e Bernardo Guimarães (1825-1884), com A Escrava Isaura. Destaca-se ainda Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), com Memórias de um Sargento de Milícias.Na última fase (1860-1880), época de transição para o Realismo e o Parnasianismo, prevalece o caráter social e liberal ligado à abolição da escravatura. O grande nome na poesia é Castro Alves, autor de O Navio Negreiro. Outro poeta importante é Sousândrade (1833-1902), de Guesa. Na prosa destacam-se Franklin Távora (1842-1888), de O Cabeleira, e Machado de Assis, em suas primeiras obras, como Helena. Com o Romantismo surgem as primeiras produções do Regionalismo, que retrata de forma idealizada tipos e cenários de regiões do país.Em relação a música, os compositores buscam liberdade de expressão e valorizam a emoção. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao Romantismo caráter nacionalista. A ópera se desenvolve no país. Seus principais representantes são Carlos Gomes, autor de O Guarani, e Elias Alvares Lobo (1834-1901). Eles são auxiliados por libretistas como Machado de Assis e José de Alencar. Em 1863 estréia Joana de Flandres, de Carlos Gomes, com texto em português. A última ópera apresentada nesse período é O Vagabundo, de Henrique Alves de Mesquita (1830-1906). Uma segunda fase do movimento é marcada pelo folclorismo. Sobressaem Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Luciano Gallet (1893-1931).O teatro desenvolve-se com a chegada da corte portuguesa, em 1808. A primeira peça é a tragédia Antônio José, ou o Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães, encenada por João Caetano (1808-1863). Martins Pena, autor de O Noviço, é considerado o primeiro dramaturgo brasileiro importante. Individualismo, subjetividade, religiosidade e situações cotidianas são as principais características do período.Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.
Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.
Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).
Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.


Surrealismo


O Surrealismo é um movimento artístico e literário que surgiu na França na década de 1920, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadá. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa. Defende que a arte deve libertar-se das exigências da lógica e expressar o inconsciente e os sonhos, livre do controle da razão e de preocupações estéticas ou morais. Rejeita os valores burgueses, como a pátria e a família.O principal teórico e líder do movimento é o poeta, escritor, crítico e psiquiatra francês André Breton, que em 1924 publica o primeiro Manifesto Surrealista, mas as suas raízes mergulham alguns anos antes. Quase na mesma altura em que se deu a explosão futurista, outros artistas italianos, principalmente Giorgio de Chirico (1888-1978), criaram uma escola radicalmente diferente, conhecida por pintura "metafísica". A maquinaria e o movimento encontram-se ausentes das suas obras, enveredando pelo interesse pelo subconsciente e pelo irracionalismo místico. Durante o período cubista, em Paris, Marc Chagall de origem russa e Chirico, filho de pai italiano e mãe grega, associam na sua pintura elementos reais e irreais, numa antecipação da qualidade onírica dos surrealistas. Chagall, de religião judaica, mantém-se ligado à tradição e às recordações da sua infância numa pequena aldeia russa. Algumas das suas pinturas refletem esse passado, com imagens descontínuas e irracionais, lembrando sonhos e visões onde o mundo parece irreal, sem densidade, opacidade ou peso físico. Utiliza cores espantosas pelo seu brilho e irrealidade. As formas são vivas mas também irreais. Parece um mundo de "fantasmas familiares". O conjunto reflete a influência da arte popular russa, do judaísmo e da Bíblia, que lhe serviram de inspiração. Chirico iniciou-se com a representação de paisagens urbanas onde aparecem edifícios de arcadas, estátuas e uma ou outra figura humana. Depois, experimenta composições mais estranhas e heterogêneas, em que as figuras, colocadas em espaços profundos e desolados, são manequins e outras personagens, compostas de objetos de todos os tipos, fazendo lembrar certas telas barrocas. A colocação das figuras e a projeção das suas sombras criam a impressão de solidão, de irrealidade e de sonho. Estas obras estranhas anunciam já o Surrealismo.Essa corrente foi fortemente marcada pelas concepções psicanalistas de Freud e no conseqüente estudo do subconsciente. Breton, poeta e fortemente interessado pela psicanálise, imaginou uma nova forma de criação, partindo do reino do subconsciente que Kandinsky e Klee já tinham experimentado, mas introduzindo-lhe um novo espírito e um novo rumo. Estava assim criado o Surrealismo que se encontrava em sintonia com o clima intelectual da época.Podem distinguir-se dois tipos de arte surrealista: o das experiências criadoras automáticas e o do imaginário tirado do mundo do sonho. O primeiro, tinha como objetivo assegurar a total liberdade criadora. O segundo, oferecia um novo campo de exploração artística, de ordem afetiva e caracterizava-se por uma fantasia abstrata.As primeiras experiências feitas na pintura automática procuravam eliminar qualquer controle da razão ou do pensamento, libertando desse modo o subconsciente para o envio dos impulsos criadores. Seguiam as teorias defendidas por Freud e Bergson. Esperavam a erupção dessa vida secreta -as riquezas escondidas nas profundezas da alma- e assim alcançar o "maravilhoso", ausente da vida consciente. Para isso, utilizaram vários métodos, nomeadamente a hipnose, em que vários elementos do grupo entravam em transe, sendo registradas as palavras que pronunciavam enquanto estavam nessa situação. Depois, os surrealistas procuraram a combinação do consciente com o inconsciente, da realidade e do sonho para criar uma super-realidade. O artista mantém o figurativo, cuidando rigorosamente o desenho, mas renuncia ao racional para se deixar guiar pela imaginação e pela alucinação. Procuravam representar o "surreal", o que está para além da realidade, ou seja, o sonho, as imagens do inconsciente. Os seus quadros enchem-se de imagens estranhas, semelhantes às dos sonhos, cujo significado nem sempre é fácil de desvendar. Contudo, para muitos pintores, este movimento afirmava a importância do sonho na criação artística, como forma de libertação do espírito, recusando a "arte pela arte". As figuras que mais se destacam são: Salvador Dalí (1904-1989), René Magritte (1898-1967), Paul Klee, Wassily Kandinsky, Joan Miró, Max Ernst, entre outros.Devido ao fato de este movimento ter como principal objetivo revelar os segredos e as profundidades do mundo psíquico, os artistas podiam servir-se das técnicas e dos princípios de todos os outros movimentos, incluindo estilos mais antigos (arte cretense, micênica e até a arte dos índios americanos ou a dos povos africanos e da Oceania). Inspiravam-se no que as convenções da sua época consideravam "estranho". Foi o que aconteceu com Joan Miró que utilizou símbolos que constituem uma autêntica linguagem hieroglífica. Deve-se ainda acrescentar que o Surrealismo é o resultado da "arte fantástica" e mantém-se ainda nos nossos dias muito vivo. Os surrealistas entendiam que "só o maravilhoso é belo" e por isso, procuravam através da surpresa alcançar uma "beleza violenta", rejeitando qualquer arte que aspirasse à racionalidade e à lógica. Talvez seja essa uma das razões por que tenha influenciado outras correntes que, à partida eram distintas dele, como é o caso da corrente denominada Neo-Romantismo que, embora pouco duradoura, sofreu uma ligeira influência mas os seus seguidores nunca recorreram ao subconsciente. Além disso, este movimento tem imprimido ao longo de várias gerações o gosto pelo fantástico, como acontece ainda nos nossos dias.No Brasil, o Surrealismo é uma das muitas influências captadas pelo Modernismo. Nas artes plásticas há traços surrealistas em algumas obras de Tarsila do Amaral, como na tela Abaporu, e de Ismael Nery, cuja tela nu mostra uma mulher branca de um lado e negra do outro. No início da carreira, o pernambucano Cícero Dias (1908-) pinta Eu Vi o Mundo, Ele Começava no Recife, obra que apresenta todas as características surrealistas. Entre os escultores, o movimento influencia Maria Martins (1900-1973). Suas peças têm caráter fantástico, como o bronze O Impossível, em que bustos humanos têm lanças no lugar da cabeça.

Arcadismo


O movimento conhecido como Arcadismo, Setecentismo (os anos 1700) ou Neoclassicismo é o período de caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.No século XVIII, as formas artísticas do Barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sócio político-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma, nega-se a educação jesuítica praticada nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. A literatura que surge para combater a arte barroca e sua mentalidade religiosa e contraditória é o Neoclassicismo, que objetiva restaurar o equilíbrio por meio da razão.A influência neoclássica penetrou em todos os setores da vida artística européia, no século XVIII. Os artistas desse período compreendiam que o Barroco havia ultrapassado os limites do que se considerava arte de qualidade e procuravam recuperar e imitar os padrões artísticos do Renascimento, tomados então como modelo.Na Itália essa influência assumiu feição particular. Conhecida como Arcadismo, inspirava-se na lendária região da Grécia antiga. Segundo a lenda, a Arcádia era dominada pelo deus Pari e habitada por pastores que, vivendo de modo simples e espontâneo, se divertiam cantando, fazendo disputas poéticas e celebrando o amor e o prazer. Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a Arcádia em 1690 - uma academia literária que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroco e difundir os ideais neoclássicos. Para serem coerentes com certos princípios, como simplicidade e igualdade, os cultos literatos árcades usavam roupas e pseudônimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural.No Brasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias literárias, simulação pastoral, ambiente campestre, etc.Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes.

Art Nouveau


Como um movimento das artes decorativas, o Art Nouveau surge na Europa por volta de 1890 e influencia as artes plásticas e a arquitetura. Preocupados em tornar mais agradável os objetos industrializados, os artistas criam elementos decorativos estilizando formas animais e vegetais. Exemplos disso são os desenhos florais aplicados nos pés de ferro das máquinas de costura, em papéis de parede, em grades de ferro fundido e em ilustrações de livros. Também as peças artesanais únicas exibem os mesmos padrões. É o período dos vitrais, vasos, luminárias, jóias e móveis excêntricos e requintados.Os edifícios Art Nouveau apresentam linhas curvas, delicadas, irregulares e assimétricas. Mosaicos e mistura de materiais caracterizam muitas obras arquitetônicas, como as de Antoni Gaudí expoente do movimento na Espanha, com foco em Barcelona. Com cacos de vidro e ladrilhos, ele decora construções como o Parque Güell e a Casa Milá, em Barcelona. A Igreja da Sagrada Família é outra obra sua de destaque.Entre os símbolos do Art Nouveau na França estão os vasos sinuosos de vidro de Émile Gallé (1864-1904), as jóias de pérolas e esmalte de René Lalique (1860-1945), os cartazes de Toulouse-Lautrec (1864-1901) e a ornamentação das entradas de algumas estações de metrô de Paris, assinadas por Hector Guimard (1867-1934). Na Bélgica, destaca-se o arquiteto Victor Horta (1861-1947). Sua obra-prima, a Casa Tassel, em Bruxelas, é repleta de trabalhos de ferro fundido. Nos Estados Unidos, o grande representante é Louis Tiffany (1848-1933), criador de vasos de inspiração mourisca e japonesa, peças marcadas pela ousadia e por seu imenso valor. Por volta de 1910, a necessidade de padronização e simplificação imposta pela indústria faz o movimento perder força em todo o mundo. O Art Nouveau recebe um nome em cada país. Na Alemanha chama-se Jugendstil (estilo de juventude) e na Itália, Stile Liberty.Conhecido também como estilo floral, está presente em edifícios projetados pelo francês Victor Dubugras; nas construções do sueco Karl Ekman (1866-1940), como a Vila Penteado, em São Paulo; e em gradis, portas e móveis produzidos pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No Rio de Janeiro, um grande exemplo é o interior da Confeitaria Colombo. Cerâmicas e cartazes do pintor Eliseu Visconti (1866-1944) também têm inspiração Art Nouveau.


Arte Cristã

A Arte Cristã compreende a arte da catacumba ( galeria subterrânea onde enterravam os mortos). Inicialmente essas pinturas limitavam-se a representações dos símbolos cristãos: pão, peixe, cruz, o bom pastor. Mais tarde o simbolismo tende a desaparecer, dando lugar à representação menos misteriosa; aumentando o retrato, cenas da vida real e assuntos tirados Bíblia. A arte cristã primitiva era executada por homens do povo (artesãos). Primeiramente tosca e simples nas catacumbas e depois mais rica e amadurecida nas primeiras basílicas. Os templos mantiveram as características da construção romana - basílicas.Quanto a escultura, raríssimas são as estátuas e o baixo relevo cristão encontradas em alguns sarcófagos, eram feitas de mármore.O elemento verdadeiro da Arte Cristã foi o mosaico , feitos nas paredes das basílicas e templos.